Há uns meses, o nosso ilustre Presidente da República, em nome da “estabilidade governamental”, optou por um governo não sufragado e um primeiro ministro não eleito pelo povo português.Na minha humilde opinião, uma decisão que não faz qualquer sentido num estado de direito e democrático. Então, em nome da suposta estabilidade (leia-se segurança para os agentes económicos continuarem a desenvolver os seus negócios com a passividade/colaboração de um governo que previligia os interesses económicos e cede facilmente ao lobby’s) e cumprindo a constituição, (parece-me que esta foi uma prova de que é necessária uma revisão constitucional! O ex-primeiro ministro abandona voluntariamente o governo e não são convocadas, automaticamente, eleiçoes?! Não me parece muito democrático e ético! Afinal de contas o homem não morreu nem ficou incapacitado!), chegámos à patética situação actual. Parece me bastante claro que este governo estava condenado à partida, não só pela forma como foi legitimado, mas principalmente pelos sucessivos erros de casting, a começar pelo próprio Santana Lopes , que é claramente um homem sem estofo, competência, carisma e inteligência para o lugar. Possui o mérito de ser um hábil político (nas tricas e conspirações partidárias), perito na arte da oratória e da improvisão, desenrasca-se nas situaçoes imediatas, perito em cosmética política... mas isto é claramente escasso para as funções de primeiro ministro, provavelmente nem para a eficaz governação do Município de Lisboa seria suficiente...
Com os últimos acontecimentos, mini-remodelações que resistem 4 dias, lavagem de roupa suja, instabilidade na coligação,etc, parece me evidente que é o próprio governo a pôr em causa a estabilidade que o legitimou aos olhos de Sampaio e dos filiados da coligação, mas não do português mais atento. Como defender a estabilidade de um país com um governo que todos os dias dá provas de instabilidade, desorientaçao, falta de rumo, liderança e coordenação?? O argumento do PR já não é, obviamente, válido. Está mais que na hora de Sampaio minimizar os prejuízos de uma decisão comprovadamente errada, dissolver o parlamento, convocar eleições! PS: num mundo ético, após a rectificação do erro cometido, Sampaio deveria, também, demitir-se. Não peço tanto, procuro não ser utópico, ficaria satisfeito com um pedido de desculpa ao país pela situação ridícula em que o colocou.